A jornada com a Arte é uma jornada eterna
Agosto tem sido um mês muito movimentado em vários aspectos da minha vida. Tenho acompanhado bastante as postangens do BEDA, do grupo Entreblogs e, com isso, tenho conhecido muitas pessoas diferentes, lendo muitos textos sobre diversos assuntos. Tem sido uma aventura em tanto!
Em uma dessas aventuras, encontrei o blog da Karina, o Quase Aurora — e me apaixonei pela forma como ela constrói os textos dela. É meu costume, toda vez que encontro um blog novo, dar uma olhada também as postagens passadas; dessa forma, eu conheço um pouco de quem escreve, o quê escreve, como arruma esse cantinho especial que é o blog.
O que me encantou na Karina foi, além da delicadeza nos textos, a jornada que ela está relatando como escritora — uma jornada que, apesar de próxima, é muito diferente da minha. E, gente, é delicioso ver esse progresso, ver os pensamentos, os textos, tudo! Porque minha jornada, no início, foi muito solitária. Anos mais tarde, quando comecei a conhecer meu ciclo de amigos na internet, ela começou a ser um pouco menos; mas, de alguma forma, ela ainda é solitária, porque muita coisa nós contruímos a sós.
Foi nessas andanças pelo blog da Karina que encontrei o post dela: "quando alguém começa a se chamar escritora?" e ele me lembrou de todo esse meu processo enquanto crescia e escrevia — já que isso me acompanha desde tenra idade.
Uma das passagens do post dela que me acalentou muito foi essa:
Há quem acredite que escritor é apenas aquele que publica livro. Mas se o autor escreveu e lançou sua história no mundo uma única vez, 20/30/40 anos depois sem escrever nada, ele continua sendo escritor? E os amantes de crônicas e poemas que são compartilhados apenas em bilhetes trocados, acumulam poeira nos cadernos esquecidos, ficam escondidos nas notas do celular e nunca chegarão ao estrelato? São menos ou mais escritores? Ou não são nada?
E é algo que devemos refletir sobre. Na real, como ela própria cita, já existe uma discussão e uma reflexão extensa sobre isso — não somente no meio da escrita, mas no meio de arte em geral. Porque existe, de forma cultural, uma glamourização da arte. Como se "arte" fosse somente aquilo que é intocável, em um grande pedestal, que está em um museu ou por detrás de um grande sucesso de vendas.
Mas arte é arte — é o fazer, é o expressar. Lembro que a Sulamoon, também, em uma das tantas aulas que ela faz semanalmente, já citou sobre isso. Sobre como arte não é necessariamente o que vende — ou o que está no museu, ou o que é publicado, ou o que tem um selo. Arte — e o artista, por consequência — é resultado de você construir algo.
Partindo dessa visão, sendo nós escritores também artistas, eu acredito que o momento em que podemos nos chamar escritores é o momento em que escrevemos — seja aquele único livro publicado, sejam os pequenos poemas e contos esquecidos nos cadernos que hoje pegam poeira, mas guardam um pedaço da nossa história, da nossa construção.
Por muito tempo, eu evitei dizer que era escritora, porque as pessoas fora do ciclo me olhavam estranho (como grande parte dos olhares que recebi durante a vida). Somente agora, nos anos recentes, é que fiz as pazes com esse eu que queria um aval externo — e, aí sim, passei a me chamar escritora. Porque a verdade, nua e crua, é que eu sempre escrevi; sempre construí, sempre planejei, sempre estudei. Não há motivos para eu não me chamar escritora, mesmo que meu grandisíssimo legado seja de fanfics (algumas, inclusive, que moram no coração das pessoas, como elas mesmas já me disseram algumas tantas vezes).
Outro trecho do texto da Karina que me encantou foi o seguinte:
Mas se perguntarem o que a mente por trás desse blog é, tenha certeza de que ela responderá escritora em construção.
E, sinceramente, nunca pude concordar mais. Mesmo que minha jornada venha de tanto tempo, mesmo com todo o aperceiçoamento, eu sinto que isso é uma eterna lapidação — exatamente o que se faz com um diamante. Só que ele nunca estará lapidado por completo. A jornada com arte é uma eterna jornada de aprendizado — não somente técnico, mas um aprendizado de si mesmo.
É tão bom você reler seus textos do passado e ver o quanto evoluiu — e saber também que há margem para você ainda evoluir, ainda tentar técnicas novas, assuntos novos, reescrever coisas antigas. E, sinceramente, eu amo esse trabalho de construção. De algum modo, nessa jornada, somos todos artistas em construção, nos desafiando sempre a coisas novas, sempre algo mais grandioso que o outro!
Por isso, Karina, minha querida, muito obrigada por me ceder esse momento de reflexão! Foi muito gostoso abordar esse assunto outra vez e chegar novamente a (talvez não tão novas) conclusões. Eu fico muito feliz de acompanhar a jornada de outros escritores e, como citei contigo, estarei acompanhando a sua — talvez um pouco devagar, mas saiba que estarei lendo e, sempre que possível comentando sobre! Muito obrigada, também, por essa oportunidade de resposta!
E vocês, meus artistas leitores, como está a jornada com arte de vocês? E aos meus leitores ainda não artistas, o que pensam de começar uma jornada artística?
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