Toca de coelho

O cansaço mental venceu minhas vontades

Faz muito tempo que não apareço com um texto mais elaborado para o blog. Até mesmo o microblog tenho usado pouco. A razão, depois de muito conversar com a minha psicóloga e também fazendo minhas próprias reflexões internas, é bem simples: estou cansada.

Vocês devem pensar: qual a novidade? Bem, a novidade, que não é tão nova assim, é que eu estou na reta final (final mesmo) do passe de batalha do Overwatch. E, aos mais íntimos meus, eu havia comentado que gostaria de conseguir o último título do prestígio.

Na minha cabeça, seria fácil. Eram menos níveis do que nos passes de temporadas passadas, vai ser mais rápido, não é?

Não foi. Não está sendo.

Depois de muitos comentários aqui e acolá que li nas tão mal faladas redes sociais, descobri que o ganho de experiência dessa temporada está terrível — a tal ponto que, pessoas que frequentemente terminavam os prestígio, não estão nem perto de onde eu estou. E, vejam, eu estou com ganho dobrado de experiência, por conta do bônus do passe pago, mais o bônus fornecido pelo gamepass e o bônus de jogar com amiguinhos.

Simplesmente insalubre.

Essa insalubridade toda drenou absolutamente toda a minha energia mental, afinal, Overwatch é um jogo competitivo por natureza. Não existe diversão nesse estilo de jogo — sua diversão é estragar o dia de alguém. E, acreditem, os jogadores conseguem estragar o meu dia (os meninos que jogam comigo bem sabem os surtos diários. Ontem ainda foi comportado… por um tempo).

Prometi a mim mesma e a todos os envolvidos que essa será a primeira e última vez que farei isso. Inclusive, já estou com planos de ignorar a temporada que vem do Overwatch (com exceção da skin nova da minha mulher, aos que viram eu comentando no microblog, anunciada na Blizzcon).

Eu sei que tenho outros passes que vou farmar de outros jogos: o League of Legends é um que vou retornar, pois virão os cosméticos do Heartsteel — novamente, para quem acompanhou os surtos do microblog, meus meninos debutaram outra vez e foram minha felicidade por exatamente uma semana. Agora, eles se foram e, ainda que a Riot tenha anunciado o retorno da True Damage, ainda não são os meus queridinhos do Heartsteel 💔 — porém, ao que tudo indica, o passe do League vai ser muito menos penoso do que o do Overwatch, porque eu vou só precisar concluí-lo. E nada que algumas partidas de Teamfight Tactis por dia não resolvam meu problema.

O segundo jogo que estou farmando a contra gosto é o Zenless Zone Zero, porque anunciaram o Severian (advinhem? Surtos do microblog). Mas esse eu tenho uma história conturbada e, muito sinceramente, estou deixando tudo para o último minuto. Porque ele não vale nem um pouco o meu esforço. Depois do Severian, vou desinstalá-lo outra vez e, preferencialmente, não instalá-lo nunca mais (talvez quando o Jouyous der as caras, o que eu espero não ser tão breve).

Após esse enorme aparato de como eu vendi minha alma para jogos online e fazer um alerta a vocês para não copiarem o meu padrão insalubre de vida, eis que quero comentar algo bem legal que acabei vendo agora durante o almoço. De vez em quando, eu separo para assistir alguns vídeos no youtube. Falo "de vez em quando", porque normalmente são vídeos longos e minha atenção acaba se esvaindo se eu preciso fazer várias pausas. Dessa vez, consegui assistir inteiro.

O vídeo é: em tempos de IA e brainrot, escreva em cadernos do canal Giulia on fire. Não conhecia o canal dela até esse momento, mas o tema me chamou atenção. E foi um vídeo muito gostoso de assistir, pois muitas ideias da Giulia realmente ressoam comigo, apesar de eu entender a minha própria realidade.

Sei que muitas pessoas, por exemplo, são adeptas das páginas matinais. Sei também, de antemão, que para mim não funcionaria, pois eu acordo extremamente desconectada da realidade. Se você espera que eu vá formular qualquer palavra coerente ao acordar, é bom apagar essa imagem, pois o máximo que consigo são gruninhos. Muito dificilmente, também, irei acordar de bom humor para conversar, quem dirá para escrever três páginas.

Diários, também, são coisas que tentei fazer, mas não consigo dar sequência. Simplesmente porque meus sentimentos crus não me trazem satisfação. Engraçado, não é? Mas é a verdade. É menos a questão de encarar os meus sentimentos, mas a vontade visseral de transformá-los. Ou seja: prefiro muito mais elaborar uma história que cubra esses sentimentos do que simplesmente vomitá-los crus. Eu não consigo absorvê-los assim. A sensação é a mesma de vomitar. Desagradável e que, no fim, não traz nada além do alívio momentâneo — e, no caso dos meus sentimentos, eles precisam ser trabalhados, porque eles vão retornar.

Apesar de não concordar com as técnicas da Giulia, eu concordo demais com a ideia geral: do ritual, de fazer as coisas do seu modo, de se encontrar escrevendo. Eu sinto que preciso muito de um tempo somente para mim. E a reflexão que fiquei desse vídeo foi exatamente essa: após terminar essa loucura dos passes de batalha, eu vou começar a separar mais tempo comigo mesmo. Um momento solitário de mim para mim. Puxar o cabo da internet e ignorar absolutamente todo mundo, inclusive quem mora comigo. É um momento que eu estou precisando. Porque jogar é legal, ficar em grupo é divertidíssimo, mas o meu tempo sozinha é tão divertido quanto.

Além, é claro, de outras tantas coisas que eu quero organizar. Os meus cadernos, os meus estudos, até mesmo as minhas histórias.

Inclusive, farei um resgate muito rápido para dizer: meu grandicíssimo projeto de 60.000 palavras está parado, pois eu percebi que não adianta eu escrever atropelando as coisas. Escrever, para mim, é para ser um processo prazeroso. E eu odeio escrever no escuro. Por mais que eu tenha toda a ideia formada, muitas minúcias ainda estavam por se definir e justamente elas começaram a me atrapalhar, ao ponto que eu não estava sentindo prazer algum em fazer cada capítulo. Por hora, ele ficará estagnado, até eu voltar com a empolgação que primeiro me fez começar esse projeto — ou encostá-lo permanentemente.

O grande resumo que fica disso tudo é: estou cansada e provavelmente vou passar algum tempo offline depois de me comprometer de maneira não saudável com jogos que são ainda menos saudáveis. Não façam isso em casa.

🎀🐇🎀

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