O homem por trás da máquina
Este definitivamente não era um post que estava sentado nos meus rascunhos ou planejamentos. Porém, lendo os textos da Diel e do Kay, além de toda a repercussão que se deu com o caso da Karen Bachini, entre outros desdobramentos, me peguei refletindo sobre as IA (LLM) — ou, como um querido no bluesky chama, "gerador de lero-lero".
E, assim, eu sou defensora assídua do não uso dessa ferramenta, para absolutamente nada. Além dos casos de plágio (que, pasmem, eu também estou inclusa, uma vez que o Ao3 foi raspado por essas machine learnings), de toda a questão cognitiva envolvida (afinal, cérebro é um músculo e, se você não o exercita, ele atrofia) e a questão ambeital (absurdamente assustadora). Contudo, o que eu refleti após ler os textos citados no começo (e uma breve conversa com o Kay sobre isso) é que, muito antes da ferramenta, eu realmente não gosto do humano por trás da ferramenta.
Vejam, até a concepção desse post, todas as LLMs que se provam foram e são programadas por outros seres humanos — e, acima de tudo, foram encomendadas por outros seres humanos. Elas, ainda, são somente ferramentas. E talvez o que mais me enoje nisso tudo é a intenção vil desses humanos por trás da ferramenta; humanos que sulcateiam outros humanos, criando especulação, transformando em mercadoria coisas intrínseca a nós, como luto e inteligência.
Também sou um pouco descrente quando a questão é conscientização, especialmente no momento em que nos encontramos: se as exigências são para termos resultados cada vez mais velozes, por que não usar a IA para me auxiliar? Ela entrega o que eu preciso em menos tempo e com menos esforço. Para uma parcela grande de pessoas, não há um dano iminente sendo causado a elas, ou por elas. Por mais que se explique tudo o que eu citei, é uma realidade distante da maioria — até, efetivamente, chegar nelas.
Mas, calma, nem tudo é descrença, pois eu sei que existem pessoas que estão lutando para ao menos regularizar tudo isso — não só isso, mas sabendo que a bolha da IA é uma gigantesca especulação, a tendência é que ela estoure. Vai ser um fenômeno catastrófico? Sim. Mas, depois disso, teremos mudanças (acredito eu, boas). É, definitivamente, como estourar uma espinha e expremer depois.
Enquanto tudo isso acontece, me dou ao direito de subir no meu cavalinho, especialmente quando relacionado à arte, e continuar fazendo tudo o que eu faço na mão. Não me importa que fulano ou ciclano está escrevendo livros e livros usando IA — porque nada disso vai me proporcionar as horas de prazer que eu tenho enquanto desenvolvo meus textos, enquanto maquino minhas ideias e confabulações. O resultado é sempre o término do processo; e você amando o processo, o resultado não importará tanto.
E, vejam bem, não é questão de se sentir superior, mas olhar para dentro de mim mesma e descobrir que eu, de fato, aprendi algo que não pode ser tirado de mim. Porque, ainda que a IA facilite em quantidade, quiçá para alguns até qualidade, ela não consegue suprir em mim essa ânsia que me permeia de construir a coisa. Isso é ser apaixonado pelo processo.
Por fim, deixo de recomendação o vídeo da Sulamoon explicando sobre os impactos da IA para artistas, mais relacionado ao caso da Karen do que os textos da Diel e do Kay, especificamente. Mas que, de uma forma ou de outra, é bem suscinto na hora de explicar o que significa usar a IA para criar alguma coisa.
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