Toca de coelho

Fanfic ou Original?

Esses tempos, eu me fiz a seguinte pergunta:

Por que eu vou escrever fanfic, se eu posso escrever os meus originais?

E isso sempre foi uma pergunta que sondou muita gente que escreve fanfic, acredito eu — não só internamente, mas que partiu também de outras pessoas. E, depois de tanto tempo, eu realmente me peguei refletindo sobre ela.

Como comentei anteriormente, escrevo desde que me conheço por gente. E, sim, eu sempre escrevi fanfic, ainda que naquela época eu não tinha noção de que isso poderia se chamar fanfic. Eu assistia os programas na TV e imaginava outras histórias com aquelas personagens — colocava personagens originais junto, também. Inclusive, até minhas próprias sonas (os projetos iniciais de fursona que eu tinha na época, haha).

Por muitos anos, sempre me foi muito claro a razão pela qual eu gostava de fazer fanfic, apesar de ter minhas originais. E meus universos originais são minha paixão, apesar de não parecer. Sou tão, tão apaixonada neles, que por muito tempo eu estava contente que eles residiam somente na minha cabeça (e em alguns rascunhos que tenho guardado deles).

Eu tenho, efetivamente, dois grandes projetos de originais: Contos esplêndidos e As razões de Deus. Esse ano, ainda, eu comecei os rascunhos de um novo universo chamado Herança de Plumas. Todos eles eu vou citar aqui no blog, no momento certo. Mas saibam que os dois primeiros estão comigo tem, pelo menos, uns dez anos.

Em meados do meu aniversário, eu resolvi que queria que Contos esplêndidos fosse mais palpável — e comecei a encomendar os designs do personagem principal desse mundo, meu filho querido. Disso, eu encomendei também o marido dele. E estou expandindo, aos poucos, para ter ao menos o design do elenco principal (e mais um tanto de artes do meu filho, também, porque eu amo ele).

Por essa razão, me questionei: para que eu voltaria a escrever fanfic, se eu tenho meus mundos originais que comecei a trabalhar agora?

E, depois de muito refletir, eu entendi: eu não tenho como criar personagens originais o suficiente para satisfazer todas as dinâmicas que eu quero trabalhar.

A conclusão me veio, obviamente, pelo meu ship novo — que está residindo na minha cabeça sem pagar aluguel tem algum tempo. Analisando, pensando, eu entendi que eu quero realmente trabalhr esse ship, tanto quanto meus originais. E está tudo bem, porque não faria sentido eu criar uma personagem original com essa mesma dinâmica somente para fazer um conto (talvez dois ou três).

A graça da fanfic é essa: imaginar outros cenários com aquelas personagens. Explorar dinâmicas entre as personagens. Fazê-las se desenvolver. Para mim, sempre foi sobre o criar. E, por mais que, sim, daria para criar um par de personagens para cada dinâmica que eu gosto, não acho que faça sentido, ao menos para mim. As personagens estão ali, eu gosto de como elas são, visualmente falando; eu gosto de suas personalidades; gosto de seus nomes. Se eu for somente replicar tudo isso, qual sentido teria?

Posso, sim, criar um amalgama de coisas, como aconteceu com a Rin — que virou minha barda do RPG — e o Manato — o namorado oficial dela. Mas não é isso que eu quero agora. E, paralelo a isso, eu vou remodelando os meus mundos originais (que, depois de dez longos anos, precisam de alguns fatos atualizados. Alguns tantos).

Em suma, eu escrevo fanfics para conseguir satisfazer a vontade que está na minha cabecinha, do mesmo modo que crio meus mundos originais: para satisfazer as caraminholas dessa mesma cabecinha, só que com ainda mais autonomia.

Mais algum escritor de fanfics perdido por aí que também teve esse dilema? De voltar ou não às fanfics, depois de escrever originais?

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